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A difícil arte de escolher: Como o detox digital mudou minha rotina

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  Você já reparou o quanto é difícil escolher? Sempre que escolhemos algo, abrimos mão de outra coisa. Nesse momento, sempre aparece aquela sensação de que não estamos fazendo a escolha certa; a dúvida vai nos tomando e, às vezes, causa até um desconforto físico. Nesta semana, eu escolhi me desfazer de várias coisas que estavam drenando a minha energia. E é estranho, pois, na maioria das vezes, aquilo que nos faz mal nem sempre está muito claro para nós. Particularmente, eu estava muito "viciada" em redes sociais. Queria ver a vida do fulano, a fofoca da semana (infelizmente tem horas que isso atrai a minha atenção, mas se Deus quiser, não mais), as notícias do mundo (que nem preciso dizer que não estão nada boas...) e, com tudo isso, vinha uma enxurrada de anúncios tentando me convencer de que eu preciso de um monte de coisas sem sentido. Ao analisar todo esse lixo mental que eu estava carregando, achei por bem apertar um botão e sair. O engraçado é que a maioria das pessoas...

Envelhecer é punk

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  Eu me lembro claramente de alguém me perguntar a minha idade e eu responder: 16 anos. Juro. Parece que foi ontem. O que acontece é que meu cérebro não acompanha a velocidade com que o tempo passa. O resultado disso é que me pego, às vezes, pensando que ainda sou aquela adolescente tranquila, sem muitas preocupações, que adorava dormir um pouquinho depois do almoço e não precisava nem passar batom , pois já acordava linda. Contudo, quando acordo e percebo que o meu dia já está cheio de compromissos inadiáveis antes mesmo de começar; quando lembro que tenho que engolir o café para levar as crianças para a escola, fazer fisioterapia (pois luxei o meu ombro) e que tenho vários boletos para pagar, vem o choque de realidade. É um choque que atravessa a alma. Quando estou em algum lugar e perguntam a minha idade, tenho que pensar um pouco antes de responder: 47 anos. Teve um dia que comecei a fazer contas, pois eu simplesmente não acreditava que o tempo passou tão rápido. O olhar no esp...

Amizade: Encontros e desencontros

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    A amizade sempre representou uma dificuldade para mim. Acredito que o início de tudo tenha se dado quando eu tinha por volta de oito anos de idade e comecei a compreender, ainda de forma ingênua, o que significava me relacionar com outras pessoas.   Naquela época, eu carregava uma inocência enorme. Em minha mente, ser amigo significava lealdade absoluta, irmandade infinita e presença constante. Eu tinha duas amigas, minhas vizinhas, que eram tudo para mim. Nos finais de semana, eu acordava, tomava o café da manhã e queria imediatamente chamá-las para brincar. Lembro-me de que só parava para almoçar e lanchar, voltando para casa apenas quando começava a anoitecer.   Nossa imaginação corria solta. Éramos professoras, cozinheiras e até construtoras. Uma delas tinha uma casa com um quintal enorme e inúmeros brinquedos. Eu me transportava para um mundo paralelo, onde tudo era alegria, leveza e pertencimento.   Por amá-las tanto, conversava com e...

A difícil — e ilimitada — arte de ser mãe

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Quando a maioria das pessoas pensa em maternidade, surge a imagem da mãe com seu bebê. No entanto, a tarefa mais árdua — e menos romantizada — é exercer esse papel quando os filhos crescem. A maternidade na pré-adolescência e na adolescência é especialmente complexa (e o mais curioso é que não existe manual de instruções ). Aliás, desde que pari meus filhos, procuro por esse bendito manual, mas nunca o encontrei. Brincadeiras à parte, lembro que, nos meus sonhos, sempre esteve presente o desejo de ser mãe. Foi algo pelo qual precisei lutar bastante para acontecer, e hoje me sinto feliz, preenchida e realizada. Isso, porém, não significa que seja fácil, tranquilo ou isento de inúmeros desafios e questionamentos. Sinto-me como uma viajante entrando em uma floresta densa e desconhecida. Olho para os lados e não vejo ninguém seguindo exatamente a mesma rota — afinal, as direções nunca são iguais para nenhuma de nós. Imagino que carrego um facão e, aos poucos, vou abrindo meu próprio caminh...

Ano novo, vida nova? Como refletir sobre ciclos pode trazer sentido e clareza

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  O ano novo sempre me traz muitas reflexões. Primeiro, agradeço por existir este ritual de finalizar ciclos. Você já imaginou se não existisse o encerramento de um ano no calendário? Fechar ciclos é muito importante, pois nos traz uma pequena pausa que nos remete a refletir se tudo o que temos feito até então está correto. Estamos indo na direção em que queremos e acreditamos? Estamos com as pessoas certas? Nossos relacionamentos nos trazem boas energias e alegrias? Nosso trabalho faz sentido? É claro que é fundamental parar para refletir. Em meio a tantos fogos, correrias e gastos de final de ano, é importante procurar o silêncio para reorganizar as ideias e os pensamentos. Em meio ao barulho, não há perguntas — e muito menos respostas. Sempre ouvi um ditado que diz que, se entrarmos em um táxi, mas não dermos a orientação de onde queremos chegar ao motorista, ou o carro ficará parado, ou ele ficará andando aleatoriamente, sem chegar a lugar algum. Assim também func...

Vocação profissional: incertezas eternas

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  É interessante observar como a nossa vida profissional caminha ao longo dos anos. Na adolescência, por volta dos 18 anos, somos obrigados a escolher um curso na faculdade. Lembro-me de olhar para um formulário da escola e ter que marcar um X na profissão que decidiria o meu futuro. Eu olhava para aquele papel sem a menor ideia do que fazer. Aquilo me angustiava demais. Fiz testes vocacionais que mais me confundiram do que ajudaram. E, como uma adolescente que não sabe o que marcar na prova, acabei “colando” da minha melhor amiga. Ela escolheu Administração de Empresas e falou maravilhas da profissão. Então marquei essa opção também. Nem preciso dizer: foi um desastre. Na faculdade, eu simplesmente não entendia o que estava fazendo ali. A maior parte dos colegas eram herdeiros milionários se preparando para administrar as empresas da família. Eu me sentia completamente deslocada. O tempo passou. Eu me formei, fui para o mercado de trabalho… e fiquei desempregada. Simples a...

Ninguém muda ninguém: a escolha diária

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  Ninguém muda ninguém. Esta é uma afirmação bem antiga, bem óbvia, mas pouquíssimo aplicável na vida das pessoas. Quando conhecemos alguém, frequentemente nos esquecemos de que esta outra pessoa vem carregada de várias bagagens: vivências, traumas, alegrias — enfim, um pacote bem recheado de sentimentos e crenças que não nos é apresentado logo no primeiro encontro. Pelo contrário, no momento em que um novo amor entra em nossas vidas, queremos ouvir mais do que falar e, de preferência, concordar com os pontos de vista o máximo possível, para não criar conflitos. Afinal, aquele ser maravilhoso, atraente e perfumado nos gera uma atração física tão intensa que não estamos dispostos a discutir a teoria da relatividade de Einstein. Queremos apenas curtir o momento. Quando um simples sorriso gera uma faísca e, da faísca, surge um incêndio, as emoções tomam conta da razão. Razão? Quem é esta? Quem está no comando são os sentidos, as emoções — sejam elas a carência, a paixão, a atr...