Amizade: Encontros e desencontros
A amizade sempre representou uma dificuldade para mim. Acredito que o início de tudo tenha se dado quando eu tinha por volta de oito anos de idade e comecei a compreender, ainda de forma ingênua, o que significava me relacionar com outras pessoas. Naquela época, eu carregava uma inocência enorme. Em minha mente, ser amigo significava lealdade absoluta, irmandade infinita e presença constante. Eu tinha duas amigas, minhas vizinhas, que eram tudo para mim. Nos finais de semana, eu acordava, tomava o café da manhã e queria imediatamente chamá-las para brincar. Lembro-me de que só parava para almoçar e lanchar, voltando para casa apenas quando começava a anoitecer. Nossa imaginação corria solta. Éramos professoras, cozinheiras e até construtoras. Uma delas tinha uma casa com um quintal enorme e inúmeros brinquedos. Eu me transportava para um mundo paralelo, onde tudo era alegria, leveza e pertencimento. Por amá-las tanto, conversava com e...