Não sou perfeita, sou possível: um conforto para uma mãe cansada.
É no mínimo desconcertante o quanto somos cobrados na sociedade atual. Será que algum mortal por aí consegue atingir todos os níveis de excelência para ser um indivíduo “normal” hoje em dia?
Eu não consigo. Se fosse uma exigência da época de escola, repetiria de ano....
Eu não consigo ser uma mãe presente e sempre disponível para meus filhos. Nem todas as refeições são saudáveis e, de vez em quando, eles comem fast food, assistem vídeos na internet (fico de olho na faixa etária e no conteúdo) e nem sempre ele dormem cedo.
Eu não vou à academia toda semana. Vou te dizer que gosto, acredita? Para uma mãe solitária em teletrabalho, a academia é um momento em que pessoas estranhas me chamam pelo meu nome. É o momento em que eu me lembro que não me chamo mãe. Mas, acontecem imprevistos que à vezes me afastam de fazer minhas atividades físicas. Eu adoeço, ou meus filhos adoecem, surgem compromissos inesperados e, com isso, não sou tão assídua como gostaria. Menos um ponto para mim, no placar do jogo dos super mortais.
Eu não estou em plena forma, meus cabelos não são brilhantes e não me visto sempre de forma elegante. Para te falar a verdade, não faço muito esforço para isso. Amo ficar de chinelos, mas às vezes gosto de me arrumar, ou seja, depende da ocasião. Não faço as unhas regulamente por pura preguiça e pela certeza de que elas não irão durar nada.
Não é que eu não queira ser ou parecer perfeita, eu até quero, mas, simplesmente não consigo. O engraçado é que quando eu olho ao redor (vizinhos, amigos, colegas de trabalho), percebo que a grande maioria é como eu sou, ou seja, um ser humano real.
Meu casamento não é um conto de fadas, não tenho dinheiro para esbanjar o tempo todo, quando eu viajo nem todos os lugares são legais, na verdade, acontece de tudo. Sou feliz em alguns dias e ocasiões, dou gargalhadas, choro, me frustro, enfim, esta é a minha realidade nua e crua.
Porém, ao abrir minhas redes sociais não é isso que encontro. Não há fotos de ninguém triste, frustrado por ter perdido o emprego ou ter sido diagnosticado com alguma doença séria. Lá não tem nenhum filho difícil, nenhuma discussão entre os casais. Todos acordam às 5 horas da manhã, para correr na rua e depois tomar um café da manhã nutritivo.
A pele e o cabelo de todos são sempre impecáveis e algumas mulheres até vendem curso para que possamos vestir de forma tão elegante quanto elas. Até para ir à padaria o sapato tem que combinar com o look e a bolsa.
Em 5 minutos rolando a tela eu penso: Será que eu vivo no mesmo planeta deste pessoal? Será que eu sou o problema? Quantas vidas lindas e perfeitas!
Algo dentro de mim, por alguns minutos, diz que tudo aquilo é mentira. Mas, depois de mais de 30 minutos vendo só “maravilhas”, desligo meu aparelho celular com a plena certeza de que se a vida fosse um ônibus, eu gostaria de parar e descer.
O engraçado é que ao recordar da minha infância não me lembro de sentir por parte dos meus pais esta exigência. Eles eram os mais amorosos possíveis comigo e com meus irmãos, não eram produtivos o tempo todo, não acordavam tão cedo para se exercitarem e tinham amigos reais. Telefonavam para a família, se interessavam pela vida das pessoas queridas, visitavam meus avós sempre que possível e, por diversas vezes, eu os via tirando um cochilo ou lendo um bom livro.
A vida era mais lenta, sem tantas exigências e comparações constantes.
O tempo era lento e gentil com as pessoas. Ou seria o contrário? As pessoas eram mais “lentas” e gentis com o tempo.
Temos que dar um basta, não somos carneirinhos e não agimos por repetição e comparações. Apenas seja. E por favor, seja feliz.
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