A difícil — e ilimitada — arte de ser mãe
Quando a maioria das pessoas pensa em maternidade, surge a imagem da mãe com seu bebê. No entanto, a tarefa mais árdua — e menos romantizada — é exercer esse papel quando os filhos crescem.
A maternidade na pré-adolescência e na adolescência é especialmente complexa (e o mais curioso é que não existe manual de instruções). Aliás, desde que pari meus filhos, procuro por esse bendito manual, mas nunca o encontrei.
Brincadeiras à parte, lembro que, nos meus sonhos, sempre esteve presente o desejo de ser mãe. Foi algo pelo qual precisei lutar bastante para acontecer, e hoje me sinto feliz, preenchida e realizada. Isso, porém, não significa que seja fácil, tranquilo ou isento de inúmeros desafios e questionamentos.
Sinto-me como uma viajante entrando em uma floresta densa e desconhecida. Olho para os lados e não vejo ninguém seguindo exatamente a mesma rota — afinal, as direções nunca são iguais para nenhuma de nós. Imagino que carrego um facão e, aos poucos, vou abrindo meu próprio caminho. No meio dessa trilha há insetos peçonhentos, espinhos e obstáculos, mas também muita beleza.
Na era da tecnologia, tão impregnada nos comportamentos humanos, não encontro referências passadas de quem tenha precisado lidar com a internet, as redes sociais e os inúmeros perigos que acompanham esse modo de viver tão atual.
Como proteger os filhos de riscos que, muitas vezes, estão dentro da própria casa? Como explicar que a comparação com os colegas não faz bem? Como compreender seus medos e inseguranças?
Tudo isso exige esforço, empatia, diálogo e uma enorme dose de amor e paciência.
É fundamental estar presente, enxergar o que realmente está acontecendo e manter a porta do diálogo aberta. Sem essas ferramentas, sinceramente, não vejo saída.
Reconheço as dificuldades de cada mãe e evito julgamentos — na verdade, não gosto de julgar ninguém, pois não é possível compreender a vida de outra pessoa sem vivê-la. Ainda assim, observo que muitos colegas do meu filho não conseguem se abrir com a própria família. Vejo pais que não percebem que, apesar de o bebê ter crescido e já saber se virar em tarefas rotineiras, como comer e se vestir, o filho continua precisando — e muito — de conversa. A porta precisa estar aberta e, quando não está, deve ser aberta com cuidado e sensibilidade.
Gosto de compartilhar experiências da minha juventude, rir junto ou até me criticar por escolhas equivocadas do passado. Faço isso para criar empatia com meus filhos, sempre tentando conectar essas histórias à realidade que sinto que eles estão vivendo hoje.
Os questionamentos são inúmeros: amizades que mudam com o tempo, amores platônicos, espinhas no rosto, autoestima fragilizada, rejeição, ansiedade, cobranças… Tudo isso atravessa a mente de um ser que amo mais do que a mim mesma. Eu o conheço profundamente e, apenas pelo olhar, sei quando algo não vai bem.
Ainda assim, confesso que, para exercer a maternidade em sua plenitude, preciso me afastar da tela do celular por algumas horas. É necessário ver meus filhos de verdade, e não apenas percebê-los à minha frente. Preciso ouvi-los com atenção — e, para isso, não posso estar distraída, pensando em contas a pagar ou em problemas a resolver.
Com o passar dos anos, lembro-me dos meus pais com um carinho cada vez maior. Na fase em que me encontro, tento resgatar na memória como eles lidavam com situações semelhantes. Nem sempre concordo com as escolhas que fizeram e, muitas vezes, enfrento desafios que simplesmente não existiam no passado — como as questões relacionadas às redes sociais. Ainda assim, minha admiração por meu pai e por minha mãe cresce a cada dia, assim como a consciência de que, em alguns momentos, fui injusta ao não compreendê-los.
Força, amiga.
O percurso não é fácil, mas acredito que, após atravessarmos essa mata densa, do outro lado haverá um adulto grato pelo esforço. E, quem sabe, no futuro, ele também olhará para o próprio mapa da vida em busca de pistas para construir o seu próprio caminho.

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