Envelhecer é punk
Eu me lembro claramente de alguém me perguntar a minha idade e eu responder: 16 anos. Juro. Parece que foi ontem. O que acontece é que meu cérebro não acompanha a velocidade com que o tempo passa. O resultado disso é que me pego, às vezes, pensando que ainda sou aquela adolescente tranquila, sem muitas preocupações, que adorava dormir um pouquinho depois do almoço e não precisava nem passar batom , pois já acordava linda. Contudo, quando acordo e percebo que o meu dia já está cheio de compromissos inadiáveis antes mesmo de começar; quando lembro que tenho que engolir o café para levar as crianças para a escola, fazer fisioterapia (pois luxei o meu ombro) e que tenho vários boletos para pagar, vem o choque de realidade. É um choque que atravessa a alma. Quando estou em algum lugar e perguntam a minha idade, tenho que pensar um pouco antes de responder: 47 anos. Teve um dia que comecei a fazer contas, pois eu simplesmente não acreditava que o tempo passou tão rápido. O olhar no esp...